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Porque escolhemos um modelo de preços por multiplicador de uso

Equipa Neobora
··9 min de leitura
Modelo de preços por multiplicador de uso

As tarifas fixas são fáceis de vender mas difíceis de justificar quando o uso real varia muito entre clientes. Por isso na Neobora optámos por um modelo de preços baseado num multiplicador sobre o uso.

O problema das tarifas fixas

Com uma tarifa fixa, o cliente que processa pouco subsidia o que processa muito, ou o contrário: quem precisa de picos de processamento fica aquém da capacidade contratada. Nenhuma das duas situações é saudável a longo prazo. E num setor onde o mesmo cliente pode passar de um projeto de 20 GB para um de 2 TB de um mês para o outro, fixar um preço único antecipadamente obriga a adivinhar, não a calcular.

Tarifa fixa versus multiplicador de uso: quem paga o quê.
Tarifa fixa versus multiplicador de uso: quem paga o quê.

Alternativas que descartámos

Antes de decidirmos pelo multiplicador, avaliámos dois modelos habituais em software geoespacial. O primeiro, preço por lugar de utilizador, não tem relação com o volume de dado processado: um único operador pode lançar um projeto de 5 GB ou de 5 TB pagando exatamente o mesmo. O segundo, um sistema de créditos pré-pagos, transfere para o cliente o encargo de estimar o seu consumo com meses de antecedência — e penaliza tanto ficar aquém como comprar a mais.

Nenhum dos dois resolvia o problema de fundo: que o custo para o cliente e o custo real de processar o seu dado não tinham de coincidir.

Como funciona o multiplicador

O cliente paga em proporção direta ao volume de dados processados, com um multiplicador fixo e conhecido antecipadamente. Não há escalões ocultos nem surpresas no fim do mês: o custo escala exatamente como escala o uso. O multiplicador aplica-se ao volume de dado classificado (GB de nuvem de pontos, raster ou vetorial), não a utilizadores, projetos abertos nem tempo de ligação à plataforma.

Um preço que o cliente pode calcular ele próprio é mais convincente do que qualquer argumento comercial.

Quanto uso contratas, e durante quanto tempo

O multiplicador não se compra à parte: contrata-se dentro de um plano, e é aí que aparece o segundo princípio do modelo. Quanto maior for a quantidade de uso contratada, mais barata sai cada unidade. O Lite inclui um multiplicador ×1; o Prime custa o equivalente a três Lite mas dá ×5 de uso; e o Business, o equivalente a sete, dá ×15. Dito de outro modo: subir de plano não só comporta mais trabalho, como faz com que cada gigabyte processado custe menos do que no plano anterior.

A isso soma-se o prazo. Um compromisso de permanência de um ano é faturado a um preço inferior ao da contratação mês a mês —cerca de 17 % abaixo—, porque nos permite planear a capacidade de processamento com antecedência. Quem preferir não se comprometer pode contratar mensalmente e mudar ou cancelar quando quiser, pagando um pouco mais por essa flexibilidade.

E comprometer-se por um ano não significa ficar preso a um plano pequeno. Se a meio do contrato o uso ficar curto, passa-se ao plano superior a qualquer momento e desconta-se o que estiver por consumir do plano anterior: não se perde o uso já pago e não há penalização por crescer. O compromisso é de permanência, não de tamanho.

Um exemplo com números reais

Para que a fórmula deixe de ser abstrata, assim se vê aplicada a três dimensões de projeto habituais:

Inspeção pontual
Um único vão ou troço curto revisto após uma incidência.
Corredor médio
Um corredor completo de dezenas de quilómetros.
Campanha anual
Várias campanhas de voo acumuladas do mesmo cliente ao longo do ano.

Nos três casos, o cliente aplica o mesmo multiplicador publicado ao seu próprio volume de dado antes de pedir orçamento — a fatura final não depende de qual comercial ficou com a conta.

Transparência como argumento comercial

Quando o cliente pode estimar a sua fatura antes de assinar, a conversa comercial muda: deixa de girar em torno de descontos e passa a girar em torno de volume e planeamento real de projetos. As equipas de compras de administrações públicas e grandes empresas, em particular, valorizam muito poder justificar internamente um custo calculado com uma fórmula pública face a um orçamento fechado sem discriminação.

O próprio cliente pode projetar o seu custo antes de contratar.
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O que acontece com os picos de trabalho

A objeção mais habitual ao modelo por uso é a falta de previsibilidade perante um pico pontual (uma grande campanha de voo, um projeto urgente). Na prática resolvemos isso pelo lado contrário: como o multiplicador é fixo e linear, um pico de volume não dispara nenhum custo marginal oculto — o cliente paga proporcionalmente mais nesse mês, e proporcionalmente menos no mês seguinte se o volume descer. E se o pico deixar de ser pontual e passar a ser a nova normalidade, ampliar o plano é imediato e o uso pendente do anterior é descontado.

Conclusão

O multiplicador de uso não é apenas uma decisão de pricing: é uma forma de alinhar o que o cliente paga com o que realmente consome, e de transformar essa transparência num argumento de venda por si só.

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